terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ementa da Disciplina Antropologia Visual - 2012.1


Universidade Federal Fluminense
Instituto de Ciências Humanas e Filosofia
Departamento de Antropologia


Antropologia Visual. Uma história do Filme Etnográfico e de seus diálogos.
Profa. Dra. Ana Lúcia Marques Camargo Ferraz
1o. semestre de 2012


Ementa: O curso deve seguir três eixos formativos paralelos: 
Introduzir os debates do campo da antropologia visual, fazendo um percurso sobre a história do filme etnográfico e discutindo as principais abordagens antropológicas sobre a linguagem do cinema como meio de comunicar um olhar etnográfico. Formar um repertório básico de história do cinema, passando, em particular, por algumas escolas do cinema documental: documentário social, cinema observacional, cinema direto e a nouvelle vague. O curso deve instrumentalizar para a abordagem do filme etnográfico, através da proposição de exercícios práticos.

Avaliação: Resenhas críticas de filmes e textos. Exercícios audiovisuais coletivos e/ou individuais em torno das abordagens estudadas. Ensaio final escrito e áudio-visual. 

Programa
1. Apresentação da turma e do percurso.
Filme: La Pyramide humaine. Jean Rouch.
Rouch, J. “La pyramide humaine. Scénario”. Cahiers du cinema. 112. 1960.

2. Preâmbulo. Questões de método: Imagem, duração e presença.
Deleuze, Gilles. “Teses sobre o movimento. Primeiro comentário de Bergson” e “A imagem-movimento e suas três variedades. Segundo comentário de Bergson”. A imagem-movimento. São Paulo, Brasiliense, 1983.
Filme: Os catadores e eu. Agnes Varda.

3. Fotografia e Etnografia
Rouillé, André. “Tensões da fotografia”. Fotografia entre documento e arte contemporânea. São Paulo, Editora Senac, 2009.
Sontag, S. “Na caverna de Platão”. Ensaios sobre fotografia. 1986. [On Photography. Penguin Books, 1979]. 
Maresca, S. La Photographie. Un miroir des sciences sociales. Paris, L’Harmattan, 1996.  “Refletir as Ciências sociais no espelho da fotografia”. 
Samain, Etienne. “Bronislaw Malinowski e a fotografia antropológica”. 
Filme: Como morrem as estátuas. Chris Marker.

4. Percursos do filme etnográfico na história da antropologia.
Ruby, Jay. “O filme etnográfico é uma antropologia fílmica?” [Is an ethnographic film a filmic ethnography?] Studies in Anthropology of Visual Communication 2(2), 1975.
Barbosa, Andrea e Cunha, Edgar T. Antropologia e Imagem. Rio de Janeiro, Zahar, 2006. 
Filme: Curtis, Edward S. In the land of the war canoes. Kwakiutl indian life on the northwest coast. [In the land of the headhunters]. 1914. (edição de Holm e Quimby, University of Washington, 1973). 43’26’’. 

Aula 5. *Preparação para Exercícios audiovisuais:
Relatos de pesquisa individuais e formação de grupos.
Leitura: Carrière, Jean-Claude. Prática do roteiro cinematográfico. JSN, 1996. “Da escrita propriamente dita”. :25-47.
Esboço de Roteiro

6. Cinema: Mostrar e/ou Narrar. 
Costa, Flavia Cesarino. O primeiro cinema. Espetáculo, Narração, Domesticação. 
Filmes: Georges Mélies - excertos – 1896 a 1902.
6.1. Do cine-olho ao cinema-verdade 
Tomas, David. “Manufacturing vision. Kino Eye, the Man with a movie câmara and the perceptual reconstruction of social identity”. Visualizing Theory. Selected essas from V.A.R. (1990-1994). Taylor, Lucien (ed.), 1994 :271-286.
Filmes: Dziga Vertov. Kino eye (1924), 
Excertos de Kino-Pravda 1925.
6.2. Montagem
Eisenstein, Sergei. A forma do filme.
Barthes, Roland. “O terceiro sentido”. O óbvio e o obtuso. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990.

7. Um ponto de vista documentado. 
Jean Vigo “Um ponto de vista documentado”. Cinemais 8,nov./dez, 1997:177-178.
Salles Gomes, Paulo Emilio. Vigo Almereyda. 
Marinone, Isabelle. “Jean Vigo, uma virada”. Cinema e anarquia. Uma historia obscura do cinema na França 1895-1935. Rio de Janeiro, Azougue, 2009.
Filme: Vigo, Jean. 
7.2. Surrealismo
Leitura do Roteiro: Buñuel, Luis. Las Hurdes, tierra sin pan. Guión. 
Buñuel, L. Las Hurdes. 

8. Desenvolvimentos da linguagem: narrativa clássica e ilusão de realidade. 
Griffith, O nascimento de uma nação. 1915.
_________.  The girl and her trust.
8.2. Polêmicas em torno de ilusão de realidade 
Beton, Gérard. Estética do cinema. São Paulo, Martins Fontes, 1987.
Lebel, Jean-Patrick. Cinema e ideologia. São Paulo, 1989.
Metz, C. A significação no cinema.

9. Etnografia e Cinema: paralelos, contaminações.
9.1.Flaherty, R. Nanook, o esquimo. 1922.
Flaherty, R. How I filmed Nanook of the north. 1924.

9.2. Antropologia norte-americana e a institucionalização de um cinema.
Mead, Margaret. A antropologia visual numa disciplina de palavras.
Worth, Sol e Adair, John. Trough Navajo eyes. An exploration in film communication and anthropology. Bloomington, Indiana University Press, 1975.
Heider, Karl. “Uma história do filme etnográfico”. Cadernos de Antropologia e imagem. 1. Rio de Janeiro, UERJ, 1995.
Filmes: John Marshall. The hunters. 1957. 
Robert Gardner. Dead birds. 1963.
Timothy Asch. Série Yanomami  - 1968-1971. The Ax fight. Asch, T. e Chagnon, N. 1975. 30’. Fragmento 5’48’’: http://www.der.org/films/ax-fight-preview.html

9.3. Crise de representação nas ciências sociais e o problema do realismo.
Ruby, Jay. “Ethnography as trompe l’oeil”.  A crack in the mirror. Reflexive perspectives in Anthropology. Philadelphia, University of Pennsylvania Press, 1982 :121-131.
Filme: Marin, Nadja. Napepe. 

10. Outras faces do realismo.
10.1. O Documentário social britânico
Grierson, John   Drifters 1929.
Cavalcanti, Alberto. “A contribuição britânica”. Filme e realidade. Rio de Janeiro, ArteNova, 1977.
Penafria, Manuela. “O filme documentário em debate: John Grierson e o movimento documentarista britânico”. Actas do III Sopcom, Vi Lusocom e II Ibérico. Vol.1. Covilhã, Portugal, 2005. http://www.bocc.ubi.pt/pag/penafria-manuela-filme-documentario-debate.html

10.2. O cinema direto norte-americano
Fred Wiseman. 
Marshall. Pittsburg Police Series. 1973. http://www.der.org/films/after-the-game.html
Carlos Melo Ferreira. Quando o documentário pensa: Frederick Wiseman. Doc OnLine. Portugal, 2009.
Nicchols, Bill. 

Robert Drew. Primary. 1960.

Aula 11. * Exercícios audiovisuais:
Galano, Ana Maria. “Diario de locação e pesquisa”. Casa grande, Senzala e Cia. Joaquim Pedro de Andrade. EdUFRJ/Aeroplano, 2003.
Relato das práticas e aproximações da Pesquisa. 

12. A formação de um cinema observacional na Austrália
12.1. Gary Kildea
Trobriand cricket. 1974
Koriam’s law.
Celso and Cora. 
La caza de balenas. La exploración documental. Antípoda. Revista de Antropologia y Arqueologia, 9, 2009 :89-111.
A escola de Tromso:  Djeneba.

12.2. David MacDougall. Além do cinema observacional.
MacDougall, D. Doon Schooll.
MacDougall, D. “The fate of cinema subject”. Transcultural cinema. Princeton University Press, 1998.
MacDougall, D.   Whose history is it?
_______________ The corporeal image. Film, and the senses.
Grimshaw, A. “The anthropologhical cinema of David and Judith MacDougall”. The ethnographer’s eye. Ways of seeing in anthropology. Cambridge University Press.

13. A Nouvelle Vague – desenvolvimento cinema verité
Morin, Edgar. O cinema ou o homem imaginário. Lisboa, Relógio d’água, 1997.

13.1. Godard e o Grupo Dziga Vertov
Ici et ailleurs (legenda pt). 1975.  01:00’
Ruy Gardnier.  Aqui e acolá, Jean Luc Godard e Anne-Marie Miéville. Contracampo 5.  http://www.contracampo.com.br/75/aquieacola.htm
Dans le noir du temps (For ten minutes older). 2001.

Deleuze, Gilles.  Três questões sobre Seis vezes dois (Godard). Cahiers du cinema, 271, novembro de 1976.
_________________.“Dúvidas sobre o imaginário”. 1986. Conversações. São Paulo, Editora 34, 1992. 

13.2. Jean Rouch e a verdade do cinema
Chronique d’un été.

14. O filme etnográfico de Jean Rouch
14.1. Cine-transe
Mammy Water. 1956.
Les tambours d’avant. Tourou et Bitti. 1972.
Rouch, Jean. “Sobre las vicissitudes del yo: el bailarin poseído, el mago, el hechicero, elcineasta y el etnógrafo”. Miradas cruzadas. Cine y antropologia. Madrid, La Casa Encendida, 2007.
Sztutman, Renato 

14.2. A etnoficção de Rouch
Petit a petit.
Deleuze, Gilles. “As potências do falso”. A Imagem-tempo. São Paulo, Brasiliense, 1985.
Fieschi, Jean-André. “Dérives de la fiction. Notes sur le cinema de Jean Rouch”. In Noguez, D. Cinéma, théories, lectures. Paris, Klincksieck, 1973.
Ferraz, ALMC. A noção de duração no cinema de Jean Rouch. Doc On line. Portugal, 2010.

14.3. Filme como antropologia compartilhada
Dionisos
Rouch, J.“The camera and the man”. Cine-ethnography. Feld, Stephen(ed.) Visible evidence 13. Minneapolis, University of Minnesota Press:29-46.
Grimshaw, Anna. “The anthropological  cinema of Jean Rouch”. The ethnographer’s eye. Ways of seeing in anthropology. Cambridge University Press.
Stoller, Paul. “Ethnographies as texts/ethnographers as gritos”. American ethnologist 21(2), 1994 :353-366.

15. O cinema como um modo de conhecer situado.
15.1. Kim Longinotto
Theatre girls.
Eat the kimono.
The good wife of Tokyo.

15.2. Trinh T. Minh Ha
Leitura de Roteiro: Minh-ha, Trinh T. Reassemblage. Guión.
“Ways of seeing Senegal. Interview with Trinh T. Minh-ha”. The Independent. 1983.
Minh-ha, Trinh T. When the moon waxes red. Representation, gender and cultural politics. New York and London, Routledge, 1991.
Reassemblage

Bibliografia Complementar:
Clifford, James. Antropologia e Literatura. 
Comolli, Annie. “Elementos de método em antropologia fílmica”. Descrever o visível. Cinema documentário e antropologia fílmica. Lourdou, P. E Freire, M. (orgs.). São Paulo, Estação Liberdade,
Didi-Huberman, Georges. O que vemos, o que nos olha. São Paulo, Editora 34, 2010.
Elder, Sarah. Images of Asch. Visual Anthropology Review 17 (2), 2002.
Ferraz, Ana Lucia M. C. ‘No decorrer da luta, você vai se descobrindo’: Experiências com o vídeo etnográfico na representação de processos sociais. Anthropológicas 13, vol. 20 :81-96, 2009. 
Gardner, R. Making Dead birds: Chronicle of a film. 
____________ The impulse to preserve: Reflections of a filmmaker.
Barbash, I. e Taylor, Lucien (eds.) The cinema of Robert Gardner. Berg Publishers, 2008.
Gallois, Dominique. “Diálogo entre povos indígenas: a experiência de dois encontros mediados pelo vídeo”. Revista de Antropologia 38 (1). São Paulo, 1995.
Guinzburg, Faye. “The paralax effect: The impacto of aboriginal media on ethnographic film”. Visual Anthropology Review 11 (2), 1995.
Mead, Margaret e Bateson, Gregory Balinese character. A photographic analysis.
Mendonça, Joao Martinho. O uso da câmera nas pesquisas de campo de Margaret Mead. Cadernos de Antropologia e Imagem 22 (1), Rio de Janeiro, 2006:57-73.
Merleau-Ponty, Maurice. O olho e o espírito. São Paulo, Cosac & Naify, 2004.
Oliveira Jr., Luiz Carlos. Tudo vai bem. Jean-Luc Godard e Jean Pierre Gorin. Contracampo 5. http://www.contracampo.com.br/75/tudovaibem.htm


Omar, Arthur. O anti-documentário, provisoriamente. Cinemais. Revista de Cinema e outras questões audio-visuais. 8. Rio de Janeiro, nov./dez, 1997.
Parente, André. Narrativa e modernidade: os cinemas não-narrativos do pós-guerra. Campinas, Papirus, 2000.
Perrault,  Pierre. “Simples marinheiro do presente”. Cinemais 8,nov./dez, 1997 :115-130.
Piault, Marc. “Uma espera incessante. Jean Rouch (1917-2004)”. Cadernos de Antropologia e Imagem 18(1), 2004 :17-19.
Schuler, Evelyn M. “A experiência Waiãpi revisitada: outros olhares no Video nas Aldeias com os registros do videasta Kasiripinã Waiãpi”. 

Filmografia complementar:
Asch, T. Arrow game. 
Ferraz, A.L., Sztutman, R. Morgado, P. e Cunha E.T. JeanRouch. Subvertendo fronteiras.   LISA, 2002.
Flaherty, Robert. Moana. 1926. 60’.
Gardner, Robert. Deep hearts. Harvard University, 1979.
__________________The Nuer. 1971. 1:15’
__________________Forest of bliss. 1986. 90’. (India)
__________________ e Akos Ostor. Sons of Shiva http://www.der.org/films/sons-of-shiva-preview.html
__________________ Altar of fire. The Film Study Center, Harvard University, 1976. 58’ (12 dias de ritual em Kerala)
Godard, Jean Luc. Letter to Jane. An investigation about a still. 1972.
________________.  Vent d’Est (1, 1:30’ e) 2. 1970. 48’
_______________. Vladimir and Rosa.
_______________. Tout va bien. 1972 - Grupo Dziga Vertov 1:30’
Eliane de Latour. Si bleu, si calme.
Longinotto, Kim. The day I will never forget (Nairobi, Kenya).
__________________. Divorce iranian style.
John Marshall. Numchai 1966. Cerimonia de cura. Sudoeste africano.
______________. Pull ourselves up or die out. Namibia
Kuikuro, Takumã. O dia em que a lua menstruou.
Maysles. Salesman, 1968.
Minh-ha, Trinh T. A tale of love.
Rouch, Jean. Les maîtres fous. 
_____________. Bataille sur le grand fleuve.
_____________ Petit a petit. Cine-transe et cine conte. 1971.
_____________ e Germaine Dieterlain. L’ avenir du souvenir.
Sjoberg, Johannes. Transfiction.

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