sábado, 30 de agosto de 2014




UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
INSTITUTO DE CIENCIAS HUMANAS E FILOSOFIA
DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA


Antropologia Visual  (GAP00114)
2014.2

Profa. Dra. Ana Lúcia Ferraz


Entre o filme etnográfico e o cinema indígena


14/08 – Apresentação do Curso
Faye Ginsburg. The paralax effect. The impact of aboriginal Media on ethnographic film”. Visual Anthropology Review, vol.11(2), 1995.


Parte 1. O problema do filme etnográfico

21/08 – O problema do cinema
Rancière, Jacques. A fábula cinematográfica. Campinas, Papirus, 2013.

Proposição de Exercícios Individuais: Uma história em 5 imagens.

[01/09 – Workshop O Filme etnográfico, de Catarina Alves Costa (Pt). Laboratório do Filme Etnográfico/UFF].
04/09 – O Filme etnográfico segundo Catarina Alves Costa (Pt)
(5/9 - INARRA/UERJ – Encontro Internacional de Antropologia Visual)

11/09 –  Crise de representação nas ciências humanas
Didi Huberman, Georges. Cascas. In Serrote 13 . Rio, IMS, 2013:98-133.

Entrega de ensaio audiovisual

Apresentação de Projeto de trabalho final.


Unidade 2 - O problema do Cinema Indígena

18/09 – David MacDougall. Whose story is it? Visual Anthropology Review, vol.7(2), 1991. :2-10.                                              Tempus de baristas. http://www.sardegnadigitallibrary.it/index.php?xsl=626&id=499

Marta Rodriguez. Colombia
http://www.martarodriguez.org/martarodriguez.org/video_Etnocidio.html

25/09 – As derivas da ficção no cinema de Andrea Tonacci.
Os arara
Serras da desordem

O olhar do outro
Sol Worth e J. Adair.  Através dos olhos Navajo. Trough Navajo Eyes. Indiana University Press 1972.


02/10 – O Projeto Vídeo nas Aldeias. 
Dominique Gallois. e Vincent Carelli. “Diálogo entre povos indígenas: a experiência de dois encontros mediados pelo vídeo”. Revista de Antropologia vol. 38(1), 1995.
A Arca dos Zoé.

A cosmologia no ritual
Yakwa. O banquete dos espíritos. Virgínia Valadão

09/10  - Takumã Kuikuro. Exibição do filme e debate com o realizador.
Cheiro de Pequi
As Hipermulheres

16/10 – Ariel Ortega e o Coletivo Mbya-Guarani de Cinema
Barros, Moacir. Caminhada, canto, conversação: mise-en-scène reversa em três filmes do Coletivo Mbya-Guarani de Cinema. Tese de Doutorado em Comunicação Social, UFMG, 2014.
Duas aldeias uma caminhada
Tava. A casa de pedra

23/10 – Ruben Caixeta.  “Relações interétnicas e performance ritual: ensaio de antropologia fílmica sobre os Waiwai do norte da Amazonia”. In Descrever o Visível. Freire, Marcius e Lourdou, P.(orgs.). São Paulo, FAPESP/Estação Liberdade, 2009. Pp:53-76.

30/10 – Xapiri. Laymert Garcia dos Santos, Stella Senra e Bruce Albert
Morzaniel Yanomami

06/11 – Avaliação: Exercício escrito em sala de aula.

13/11 – Discussão dos trabalhos finais

20/11 – Apresentação dos trabalhos finais

28/11 – Apresentação dos trabalhos e Avaliação do curso

quinta-feira, 6 de março de 2014

2014.1. Ritual e Simbolismo




Universidade Federal Fluminense
Instituto de Ciências Humanas e Filosofia
Departamento de Antropologia


Disciplina: Ritual e Simbolismo
Profa. Ana Lucia Marques Camargo Ferraz
1o. Semestre de 2014.

O curso pretende discutir o olhar etnográfico sobre o estudo de rituais, num percurso que retoma o conjunto da obra de Victor Turner. Pretende-se compreender movimentos na obra do autor, partindo de sua teoria do Drama Social, chegando à elaboração de uma Antropologia da Performance.

O contexto de formação de Victor Turner
Gluckman, Max. "O material etnográfico na antropologia social inglesa". Pp. 64 -76. In: Desvendando máscaras sociais. Zaluar (Org.). RJ: Livraria Francisco Alves Editora. S.A. 
Gluckman, Max. “Rituais de Rebelião no Sudeste da África.” Cadernos de Antropologia. Universidade de Brasília. 1974.
Balandier, Georges. “A noção de situação colonial”. Cadernos de Campo.

O estudo de processos sociais
Turner, Victor. “Peregrinações como processos sociais”. Dramas, campos e metáforas. Niterói: EdUFF. Pp. 155-214.
________. Floresta de símbolos. Aspectos do ritual Ndembu. Niterói, EdUFF, 2005.

Ritos de passagem
Turner, Victor. “Betwix and between: o período liminar nos ritos de passagem”. Floresta de Símbolos. Aspectos do Ritual Ndembu. Niterói: Ed. UFF, 2005. Pp. 137-158.
Van Gennep, Arnold. Os ritos de passagem. Petrópolis: Vozes, 1978.
Turner, Victor. “Mukanda: o rito de circuncisão”. Floresta de Símbolos. Aspectos do Ritual Ndembu. Niterói: Ed. UFF, 2005. P 203-356

Liminaridade e communitas
Turner, Victor. “Liminaridade e ‘Communitas’”. O processo ritual: estrutura e anti-estrutura. Petrópolis: Editora Vozes, 1974. pp. 116-159.
____________. “A ‘communitas’: modelo e processo”. O processo ritual: estrutura e anti-estrutura. Petrópolis: Editora Vozes, 1974. PP. 160-200.

A teoria do drama social
Turner, Victor. “Dramas sociais e metáforas rituais”. Dramas, campos e metáforas. Niterói: EdUFF. Pp. 19-54.
___________. “Hidalgo: História como drama social”. Dramas, campos e metáforas. Niterói: EdUFF. Pp. .
Filme: Rouch, Jean. Les mâitres fous. Os Mestres Loucos.

Antropologia da Experiência
Turner, V. Dewey, Dilthey e Drama: um ensaio em Antropologia da experiência. In Cadernos de campo
Rosaldo, R. “Ilongot Hunting as story and experience”. The anthropology of experience. University of Ilinois Press, 1986.

Antropologia da Performance: a obra madura de Turner e a recepção de John Dawsey.
Turner, V. The Anthropology of Performance. NY, PAJ Publications, 1988 :72-98.
Dawsey, J.C.  Turner, Benjamin e Antropologia da Performance: O lugar olhado (e ouvido) das coisas. Campos 7(2). 2006. :17-25.
__________. “Tonantzin: Victor Turner, Walter Benjamin e a Antropologia da Experiência”. Sociologia e Antropologia. vol. 03.06. Rio de Janeiro, 2013 :379-410.
__________. “A casa de Joana D’Arc. Drama e montagem”. Mana 18(1). Rio de Janeiro, 2012: 91-119.
__________. Bonecos da Rua do Porto: performance, mimesis e memória involuntária1. Ilha. vol. 13 (1). 2012. 185-219.
__________. Por uma antropologia benjaminiana: repensando paradigmas do teatro dramático. Mana 15(2). Rio de Janeiro, 2009. :349-376.

O Teatro como espaço liminóide
Turner, V. From Ritual to Theatre. The Human seriousness of play. NY, PAJ Publications, 1982.
Schechner, Richard “Points of contact between anthropological and theatrical thought. Between theatre and anthropology. Philadelphia, University of Pennsylvania Press, 1985.
_____________. Performance e Antropologia. Ligiero, Z. (org.). Rio de Janeiro, Mauad, 2012.
Holloman, Regina e Ashley, Wayne. “From ritual to theatre in Kerala”. The drama review, vol.26 (2). MIT, 1982.

A virada do drama à performance. Debates com o campo das artes
Raposo, Paulo. “Diálogos antropológicos: da teatralidade à performance”. In Performance, arte e antropologia. Ferreira, F e Muller, R. (orgs.). São Paulo, Hucitec, 2010.
Quilici, Cassiano.  Antonin Artaud. Teatro e ritual. São Paulo, Annablume, 2004.
Artaud. “O teatro e a peste”. O teatro e seu duplo. São Paulo, Martins Fontes, 2006.
Ferraz, A.L.M.C. “Dramaturgia da vida social e a dimensão patética da pesquisa antropológica”. In Antropologia e Performance. Dawsey, J. e Muller, R. (orgs.). São Paulo, Terceiro Nome, 2013.

O estado do debate no campo do teatro
Marcus, George. “O intercâmbio entre arte e antropologia: como a pesquisa de campo em artes cênicas pode informar a reivenção da pesquisa de campo em antropologia”. In: Revista de Antropologia, USP, 2004, V. 47 No 1, p.133-158.
Williams, Raymond. “Uma rejeição à tragédia: Brecht”. Tragédia moderna. São Paulo, Cosac & Naify, 2002.
Costa, Iná Camargo. A luta dos grupos teatrais de São Paulo por políticas públicas para a cultura. Cooperativa Paulista de Teatro, 2008.

Estudo do caso de Jerzi Grotowski
Lima, Tatiana Motta. Organicidade em Grotowski: O percurso de uma investigação. São Paulo, Casa Laboratório/Fondazione Pontedera de Teatro/Lei de Fomento, 2009.
Forsythe, Eric. “Conversations with Ludwick Flaszen”. ETJ 30 (3). October, 1978. :301-328.
Grotowski, J. Projeto de Ensino e Pesquisa em Antropologia Teatral. College de France, 1987.
_________. “O príncipe constante, de Ryszard Cieslak”. In, Cieslak, Acteur-emblème des annés soixante. Banu, G. (ed.). Paris, Actes de Sud-Papiers, 1992.

O riso – Função catártica e crítica social
Douglas, Mary. “The social control of cognition: Some factors in joke perception”. Man 3(3), 1968 :361-376.  
Benício, Eliene A.C. A pesquisa sobre a dramaturgia do Circo-Teatro encenada em São Paulo entre 1927 e 1968”. ABRACE, 2009.
Ferraz, A.L.M.C. “O casamento no drama de circo e na vida de artistas circenses: uma experiência no campo do filme etnográfico”. Famílias em Imagens. Copque, B. Peixoto, C.E., Luz, G. (orgs.).Rio de Janeiro, FGV, 2013.

O estado da arte na Antropologia da Performance.
Peirano, Mariza. “Temas ou Teorias? O estatuto das noções de ritual e performance”. Campos 7(2), 2006 :9-16.
Williams, Raymond. “O drama numa sociedade dramatizada”. Achados e Perdidos. Machado, Rubens (org.). Almeida, Heloisa Buarque de (Tradução). São Paulo, 2002.
States, Bert O. “Performance as metaphor”. Theatre Journal  48.1, 1996. :1-26.

Bibliografia complementar
Beeman, William O. “The Anthropology of Theater and Spectacle”. Annual Review of Anthropology vol.22, 1993. :369-393.
Bologñesi, Mario F. “Brecht e Aristoteles”. Trans/Form/Ação. vol.25 (1). Marília, Unesp, 2002.
Cixous, Hélène. “The Character of ‘Character’”. New Literary History vol.5 n. 2, 1974. :383-402.
Carpanzano, Vincent. Imaginative Horizons. An essay in literary-philosophical anthropology. The University of Chicago Press, 2004.
Fabian, Johannes. Power and Performance. Ethnographic Explorations through proverbial wisdom and theater in Shaba, Zaire. The University of Wisconsin Press, 1990.
Szondi, Peter. Teoria do drama moderno.[1880-1950]. São Paulo, Cosac & Naify, 2001.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Aula 6 (2013.2) - Como incorporar a ambiguidade? Representação e tradução cultural na prática da realização do filme etnográfico




Catarina Alves Costa



"Mais Alma". 56min. 2001.
Filme documentário sobre a criação artística em Cabo Verde, tendo a realizadora seguido, durante a preparação de uma das edições do festival Mindelact, os ensaios e bastidores dos artistas. Foca o nascimento e a discussão das ideias nos grupos, em busca de formas de exprimir uma identidade nova. Destaca-se a força de Orlando Pantera, cuja morte prematura aos 33 anos de idade levou de Cabo Verde um dos mais promissores criadores dos últimos tempos. 


"Senhora Aparecida". 55min. 1994
Em Aparecida, a 50 Km do Porto, a atmosfera em torno da preparação das festas anuais é tensa: o novo padre tenta desencorajar os "pagadores de promessas" de se fazerem transportar em caixões abertos através da aldeia até à capela da Senhora Aparecida. A superstição contra os argumentos teológicos, fidelidade aos votos ou reinterpretação... O conflito é inevitável. É a identidade local e a identidade dos seus habitantes que está em causa. Se este tipo de procissões era comum no norte da Península Ibérica do século dezanove, esta ia ser, provavelmente, a última a ter lugar em Portugal. Na aldeia de Senhora Aparecida preparam-se as festas de Agosto. O andor principal que transporta a Santa deve ter quinze metros de altura. está agora a ser montado e decorado. Aqueles que escaparam à morte celebram agora a vida. a Senhora retribui redistribui o poder que lhe foi concedido... 



"O Arquiteto e a cidade velha". 72min. 2003
O arquiteto português Álvaro Siza é convidado a coordenar a recuperação da Cidade Velha, no Cabo Verde, que se candidata a Patrimônio Mundial da Unesco. O projeto suscita expectativa de melhoria das condições de vida na população local, mas como lugar histórico, primeira cidade fundada pelos portugueses, deve retomar sua estrutura original: telhados de palha. O filme mostra o encontro entre os políticos locais, o arquiteto e a população e as negociações travadas ao longo de três anos.